A semana foi marcada por reajustes significativos na conta de luz aprovados pela Aneel, que impactam dezenas de milhões de consumidores, especialmente no Sul e Sudeste, com aumentos que chegam a dois dígitos. Os Correios encerraram 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões, enquanto o Paraguai se destaca com projeção de crescimento de 4,2% do PIB em 2026, segundo o FMI.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajustes tarifários que afetam mais de 22 milhões de unidades consumidoras. Os índices médios variam entre 5% e 15%, mas em várias distribuidoras os aumentos superam a inflação e chegam perto de 20% em alguns casos, pressionados por encargos setoriais e custos operacionais.

Reajuste na conta de luz afeta milhões no Sul e Sudeste

Os reajustes aprovados pela Aneel atingem distribuidoras importantes como Energisa, Neoenergia, CPFL e Enel em diversos estados. As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte dos consumidores impactados, o que deve gerar pressão direta no orçamento de famílias e empresas no primeiro semestre de 2026.

Especialistas apontam que os encargos e subsídios embutidos na tarifa transformam o consumidor em financiador de políticas públicas do setor elétrico. O reajuste médio projetado fica em torno de 8%, quase o dobro da inflação esperada para o período.

Correios registram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025

Os Correios fecharam o ano de 2025 com rombo de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo dos R$ 2,6 bilhões registrados em 2024. É o quarto ano consecutivo de prejuízo da estatal. A receita bruta caiu 11,35%, para R$ 17,3 bilhões, e o patrimônio líquido ficou negativo em R$ 13,1 bilhões.

O resultado foi influenciado principalmente por provisionamento de obrigações judiciais (precatórios) na casa dos R$ 6,4 bilhões, além de custos operacionais elevados e forte concorrência no e-commerce. Apesar do crescimento das entregas online, a estatal não conseguiu reverter as perdas.

  • Prejuízo em 2025: R$ 8,5 bilhões (aumento de 226,9% em relação a 2024)
  • Receita bruta: R$ 17,3 bilhões (queda de 11,35%)
  • Patrimônio líquido negativo: R$ 13,1 bilhões
  • Quarto ano seguido no vermelho

Governo Lula recua na taxa das blusinhas e em pautas polêmicas

Diante do desgaste popular, o governo avalia reduzir ou zerar a alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas. O presidente Lula chegou a classificar a medida como desnecessária. Paralelamente, o projeto de formalização de motoristas e entregadores de aplicativos foi retirado da pauta.

Fim da escala 6x1 pode reduzir PIB em até 0,82%

A CCJ da Câmara aprovou a admissibilidade de propostas que põem fim à escala 6x1 e reduzem a jornada semanal para 40 horas. Estudo do Banco Inter estima que a medida pode derrubar o PIB em 0,82% no médio prazo, com impactos maiores em setores como construção civil e indústria.

"Reduzir a jornada sem aumento de produtividade pode virar um tiro no pé econômico." — Estudo do Banco Inter

Desenrola 2.0 e pressão sobre as contas públicas

O governo prepara o Desenrola 2.0, que pode usar recursos do FGTS para ajudar inadimplentes. Enquanto isso, a dívida pública bruta continua em trajetória de alta, aproximando-se de 84% do PIB, pressionada pelos juros elevados.

Paraguai lidera crescimento na América Latina

O FMI projeta expansão de 4,2% do PIB paraguaio em 2026, bem acima da média regional. O país atrai investidores e migrantes graças a inflação controlada e regras estáveis, servindo de contraste com desafios fiscais brasileiros.

O que esperar nas próximas semanas

A próxima semana tem feriado do Dia do Trabalho (1º de maio), com bolsa fechada na sexta. Haverá decisões de juros no Brasil, EUA, zona do Euro e Reino Unido. Os reajustes na conta de luz continuarão a ser implementados gradativamente.

A economia brasileira enfrenta simultaneamente pressão de custos para famílias e empresas, rombos em estatais e desafios de produtividade. Enquanto medidas como o Desenrola buscam alívio imediato, o desempenho do Paraguai reforça a importância de estabilidade e eficiência. Acompanhe os próximos passos no Congresso e nas decisões monetárias.