Toda Copa do Mundo é também uma batalha de marcas. Enquanto os jogadores disputam a taça dentro de campo, Adidas e Nike travam outra guerra — pela visibilidade nas camisetas, nos telões e nas telas de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Na Copa 2026, pela primeira vez em décadas, a Adidas saiu na frente: a marca alemã veste 14 das 48 seleções do torneio, contra 12 da Nike. Uma virada que tem história, estratégia e muito dinheiro por trás.

A Adidas assume a liderança

No Qatar 2022, a Nike liderava com folga: 41% dos acordos de patrocínio técnico com as 32 seleções participantes. A Adidas ficava atrás, com 22%. Em 2026, o cenário mudou. Com o Mundial expandido para 48 equipes, a Nike não cresceu proporcionalmente — e a Adidas dobrou sua presença, saindo de 12 para 14 seleções patrocinadas, o equivalente a 29% do total.

A Nike patrocina 12 seleções, representando 25% do torneio. A queda percentual é significativa mesmo com o número absoluto praticamente estável: o problema da Nike não é ter perdido clientes — é que o bolo cresceu muito e ela não acompanhou o ritmo.

Entre os principais ativos da Adidas em 2026 estão a campeã vigente Argentina e uma das favoritas ao título, a Espanha. Também entram Alemanha, Japão e Colômbia — seleções com grande apelo comercial e torcidas expressivas. A Adidas ainda fornece o balão oficial com o qual serão disputadas todas as 104 partidas do torneio, além de vestir árbitros e voluntários. É uma presença que vai muito além das camisetas.

Os ativos da Nike: Brasil, França e Inglaterra

A Nike não perdeu terreno onde mais importa do ponto de vista comercial. Seus três maiores ativos globais em venda de camisetas — Brasil, França e Inglaterra — seguem sob o swoosh. São as três seleções com maior volume de vendas de uniformes no mundo, e nenhuma delas mudou de fornecedor.

O contrato com o Brasil é o mais antigo e emblemático: quatro décadas de aliança entre Nike e CBF, renovada em 2024 por mais um ciclo. A camiseta canarinho é um dos produtos esportivos mais vendidos globalmente mesmo em anos sem Copa — e nos anos de Mundial, as vendas multiplicam. Ter o Brasil vestindo o swoosh durante 104 dias de competição vale bilhões em visibilidade orgânica.

A Nike também incorporou ao portfólio o Uruguai neste ciclo, time que deixou a Puma após 18 anos de parceria. Mas perdeu Portugal e Qatar — o primeiro foi para a Puma, o segundo para a Adidas. A companhia americana tem reorientado seu orçamento de patrocínio para propriedades premium fora do futebol de seleções, como o FC Barcelona. No ano passado, destinou 4,28 bilhões de dólares a marketing e patrocínio — 8,6% menos do que no ano anterior, numa redução que acompanhou a queda de 9,8% nas receitas globais.

A Adidas e o adeus à Alemanha

Um dos capítulos mais simbólicos da Copa 2026 no campo dos patrocínios é o da Alemanha. A seleção alemã e a Adidas são uma das parcerias mais longas da história do esporte: desde 1954, quando a Alemanha venceu sua primeira Copa do Mundo com a camisa da marca bávara, as duas estiveram juntas. São 72 anos de aliança ininterrupta.

Em 2026, essa história chega ao fim. A partir de 2027, a Alemanha vestirá Nike — uma virada histórica que demorou décadas para acontecer e que representa a maior conquista da Nike no futebol de seleções nos últimos anos. Para a Adidas, a Copa 2026 é o último Mundial com a Alemanha. Uma despedida em grande estilo, já que os alemães entram como candidatos ao título.

A Puma e o crescimento das marcas menores

Em terceiro lugar no ranking de seleções patrocinadas fica a Puma, que apesar de menor em volume absoluto é a marca que mais investe proporcionalmente em patrocínio em relação ao seu faturamento — cerca de 22% da receita total. Entre seus principais contratos para 2026 estão Portugal, Suíça, Marrocos e Nova Zelândia. A chegada de Portugal, que saiu da Nike, foi o grande movimento da Puma no último ciclo.

A Copa 2026 também é a primeira com presença tão diversificada de marcas menores. Se no Qatar 2022 eram oito fornecedores técnicos, em 2026 são 13. A expansão do torneio para 48 seleções abriu espaço para marcas regionais e emergentes: Kelme, Reebok, Umbro, Capelli Sport, Jako, 7Saber e Saeta entram no mapa do patrocínio técnico de Copa pela primeira vez ou após longa ausência. A New Balance, por sua vez, não patrocina nenhuma seleção neste ciclo.

O acordo da Adidas com a FIFA: mais de 60 milhões por ano

Além dos contratos individuais com cada seleção, a Adidas tem um trunfo que nenhum concorrente possui: é patrocinadora oficial da FIFA. O acordo, estimado em mais de 60 milhões de euros anuais, garante à marca alemã presença em todos os estádios durante o torneio — nas placas de publicidade à beira do campo, nos uniformes de árbitros e auxiliares, no balão oficial, na indumentaria dos voluntários e nas cerimônias de entrega de prêmios.

Na prática, isso significa que mesmo que a seleção de determinado país entre em campo com a camiseta da Nike, o balão que ela usa para jogar, o árbitro que apita a partida e o voluntário que carrega a bola têm o logo da Adidas. É uma presença ubíqua que nenhum volume de contratos com seleções consegue replicar.

O que a disputa de camisetas diz sobre o futebol como negócio

A batalha entre Adidas e Nike na Copa 2026 é um espelho da transformação do futebol em negócio global. O patrocínio técnico de seleções deixou de ser uma questão quase logística — alguém tinha que fornecer as camisetas — e virou uma disputa estratégica bilionária que envolve direitos de imagem, campanhas de marketing globais, acordos de licenciamento e posicionamento de marca para bilhões de consumidores simultaneamente.

Para o torcedor brasileiro, o detalhe mais relevante é a solidez da parceria com a Nike: quatro décadas e renovação garantida até o próximo ciclo. A camiseta amarela com o swoosh é uma das imagens mais reconhecíveis do futebol mundial — e vai seguir assim. Para acompanhar os jogos em que o Brasil vai usar essa camiseta na Copa 2026, os jogos do Brasil na Copa 2026 têm o calendário completo com datas, horários e locais.