Por 16 anos, o Paraguai ficou de fora das Copas do Mundo. A última participação da Albirroja havia sido em 2010, na África do Sul, quando a seleção fez sua melhor campanha histórica ao chegar às quartas de final. Agora, em 2026, o Paraguai está de volta ao maior palco do futebol — e não chega de qualquer jeito. A campanha de classificação incluiu feitos que poucos esperavam: vitórias sobre Brasil e Argentina em Assunção. Conheça a seleção paraguaia que voltou para incomodar os favoritos.
O fim de um jejum de 16 anos
O Paraguai sempre foi uma seleção tradicional do futebol sul-americano, presente em diversas Copas do Mundo e conhecido pela combinação de raça, organização defensiva e oportunismo. Mas depois da campanha histórica de 2010 — quando caiu apenas para a futura campeã Espanha nas quartas de final —, veio um período de declínio que manteve a Albirroja longe de três Mundiais seguidos.
A volta em 2026 representa a reconstrução de um projeto. Nas Eliminatórias Sul-Americanas, o Paraguai terminou na sexta colocação com 28 pontos, garantindo a vaga numa campanha consistente e marcada por resultados de prestígio. O ponto alto foi justamente a capacidade de bater os dois gigantes do continente em casa, em Assunção — vitórias sobre Brasil e Argentina que mostraram a força renovada da seleção.
Gustavo Alfaro: o técnico que reergueu a Albirroja
O homem por trás da reconstrução paraguaia é o técnico argentino Gustavo Alfaro, especialista em organizar seleções sul-americanas e levá-las a Copas do Mundo. Alfaro já tinha feito esse trabalho com o Equador, que classificou para o Catar em 2022, e repetiu a dose com o Paraguai.
A filosofia de Alfaro é clara e pragmática: bloco defensivo organizado, solidez, foco na compactação e aproveitamento das transições. É um futebol que prioriza não sofrer gols e ser eficiente nas chances que cria — exatamente o tipo de estratégia que pode incomodar seleções tecnicamente superiores em jogos de Copa do Mundo. Sob seu comando, o Paraguai recuperou a identidade competitiva que sempre foi sua marca registrada.
Uma seleção em renovação
O Paraguai que volta à Copa em 2026 passa por um momento de renovação geracional. Alfaro apostou numa mistura de jogadores experientes com nomes mais jovens, construindo um grupo coeso e disciplinado taticamente. A ausência de uma superestrela individual é compensada pela força do conjunto — característica histórica das melhores equipes paraguaias.
O estilo de jogo da Albirroja é baseado na solidez defensiva e na capacidade de surpreender em contra-ataques e bolas paradas. É uma seleção difícil de bater, que raramente se entrega e que sabe sofrer quando necessário. Esse perfil já provou ser eficiente contra adversários de maior investimento técnico — e foi exatamente o que permitiu as vitórias sobre Brasil e Argentina nas Eliminatórias.
Por que o Paraguai é uma surpresa perigosa
O Paraguai chega à Copa 2026 com o status de azarão que ninguém quer enfrentar. Modelos estatísticos de previsão já apontaram a Albirroja como capaz de surpreender favoritos — em algumas simulações de seus jogos do Grupo D, o Paraguai aparece com chances reais de vitória mesmo contra adversários teoricamente superiores.
Esse tipo de seleção é o pesadelo dos favoritos numa Copa do Mundo. Times organizados defensivamente, que não se abrem e que aproveitam as poucas chances que têm, já eliminaram gigantes em diversas edições do torneio. O Paraguai tem exatamente esse DNA — e a confiança extra de ter batido as duas maiores potências sul-americanas no caminho até o Mundial.
Para o torcedor sul-americano, o Paraguai representa a tradição combativa do continente. Em uma Copa em que Brasil e Argentina sonham com o título, a Albirroja chega na surdina, sem holofotes, mas com a capacidade de estragar a festa de qualquer um. É o tipo de seleção que se constrói para o mata-mata — e que pode ir mais longe do que muitos imaginam.
A história do Paraguai em Copas do Mundo
O Paraguai tem uma relação longa e respeitável com a Copa do Mundo. A seleção estreou no Mundial ainda em 1930, na primeira edição do torneio, e desde então participou de oito Copas antes de 2026. Ao longo dessa trajetória, a Albirroja construiu fama de seleção dura, difícil de bater e especialista em surpreender adversários mais cotados.
O auge veio em 2010, na África do Sul, quando o Paraguai alcançou as quartas de final pela primeira vez na história — caindo apenas para a Espanha, que seria a campeã mundial, num jogo apertado decidido por detalhes. Aquela geração, liderada por nomes como Justo Villar, Roque Santa Cruz e Cristian Riveros, ficou marcada como a melhor da história paraguaia. O desafio da geração atual é se aproximar desse feito e devolver ao país o protagonismo que ele teve naquela década.
Outro capítulo glorioso foi a Copa América de 1979, quando o Paraguai conquistou o título continental. A seleção também foi vice-campeã da Copa América em outras ocasiões, confirmando sua tradição como uma das forças históricas do futebol sul-americano, mesmo sem o brilho constante de Brasil e Argentina.
O fator emocional da volta
Para o torcedor paraguaio, a classificação para 2026 tem um significado que vai além do esporte. Dezesseis anos longe de uma Copa do Mundo é tempo suficiente para uma geração inteira de jovens crescer sem ver sua seleção no maior palco do futebol. O retorno reacende a paixão nacional e devolve ao Paraguai o lugar que historicamente ocupou no cenário mundial.
Essa carga emocional pode ser um combustível importante dentro de campo. Seleções que jogam com o peso de representar uma nação que esperou muito tempo costumam entregar atuações acima do esperado — e o Paraguai, com sua tradição de raça e entrega, é o tipo de equipe que se alimenta desse tipo de motivação coletiva.
Para acompanhar todos os jogos da Copa 2026 e os duelos da Seleção Brasileira rumo ao hexacampeonato, os jogos do Brasil na Copa 2026 têm o calendário completo com datas, horários e locais.


