Trinta e dois anos depois de 1994 — a Copa em que o Brasil conquistou o tetracampeonato no Rose Bowl —, os Estados Unidos voltam a sediar o maior torneio de futebol do planeta. Mas desta vez o papel de anfitrião vem acompanhado de uma ambição muito maior: os americanos não querem apenas organizar a festa, querem protagonizá-la dentro de campo. À frente desse projeto está um nome de peso do futebol mundial, o argentino Mauricio Pochettino, e uma geração de jogadores que cresceu nas melhores ligas da Europa. Conheça a seleção dos EUA na Copa 2026.

O retorno de uma seleção-sede após três décadas

A última vez que os Estados Unidos sediaram uma Copa do Mundo foi em 1994. Naquela edição, a seleção americana chegou às oitavas de final antes de ser eliminada justamente pelo Brasil, que seguiria rumo ao título mundial. De lá para cá, o futebol americano evoluiu de forma significativa, impulsionado pelo crescimento da MLS — a liga nacional que hoje atrai estrelas mundiais como Lionel Messi e ajuda a desenvolver o esporte no país.

Para 2026, a expectativa é ir muito além das oitavas de final. Como um dos três países-sede, ao lado de México e Canadá, os EUA têm a vantagem de jogar em casa, com torcida, sem desgaste de viagens longas e com total adaptação às condições locais. É o cenário ideal para uma seleção que quer dar um salto histórico em sua trajetória nas Copas do Mundo.

Mauricio Pochettino: a aposta europeia no comando americano

A grande aposta da federação americana foi a contratação de Mauricio Pochettino, anunciado em setembro de 2024. O argentino de 52 anos chega com um currículo de respeito no futebol europeu: trabalhou no Tottenham, no Paris Saint-Germain e no Chelsea, e é reconhecido por sua capacidade de organizar equipes taticamente e extrair o máximo de elencos jovens.

Pochettino assumiu a seleção americana num momento delicado, logo após uma decepcionante eliminação na fase de grupos da Copa América de 2024, disputada em casa. Sua missão foi clara: reestruturar o time, devolver confiança ao grupo e prepará-lo para fazer bonito no Mundial. A Copa de 2026 é a primeira do argentino como treinador de seleção — um novo capítulo numa carreira construída no dia a dia dos clubes.

O estilo Pochettino é reconhecível: pressão alta, transições rápidas e intensidade física. Ele trouxe a cultura tática europeia para uma seleção que historicamente se apoiava mais na entrega e no atletismo do que na sofisticação tática. A combinação dos dois mundos é o que o argentino busca para fazer os EUA surpreenderem.

O elenco: juventude com experiência europeia

O grupo montado por Pochettino tem uma característica marcante: é jovem, mas com vivência internacional. A média de idade é de cerca de 26 anos, o que coloca este entre os elencos mais jovens da história americana em Copas do Mundo — mas vários desses jogadores já acumulam experiência nas principais ligas europeias.

O principal nome é Christian Pulisic, camisa 10 e estrela do Milan, na Itália. Pulisic é o jogador mais talentoso e decisivo da seleção, capaz de definir partidas por conta própria pelos lados ou por dentro. Ao seu redor, Pochettino conta com nomes como Weston McKennie, Tyler Adams, Antonee Robinson — autor de golaços recentes pela seleção — e o centroavante Folarin Balogun. A mistura de veteranos da Copa de 2022 com jovens estreantes dá ao time equilíbrio entre experiência e energia.

Como os EUA chegam: altos e baixos na preparação

A reta final de preparação americana misturou bons resultados e tropeços, o que ajuda a explicar por que o time chega sob certa pressão. Em maio de 2026, os EUA venceram o Senegal por 3 a 2 em casa, com Pulisic encerrando um jejum de gols. Mas em março, haviam sofrido uma pesada derrota por 5 a 2 para a Bélgica e um revés por 2 a 0 para Portugal.

No último teste antes do Mundial, em 6 de junho, os americanos perderam para a Alemanha por 2 a 1 em Chicago — mas com aspectos positivos: a equipe reagiu a um gol relâmpago e mostrou nível de jogo que indica estabilidade no esquema de Pochettino. O próprio técnico fez questão de valorizar o desempenho do time mesmo na derrota, destacando que o placar foi injusto diante da atuação.

Essa inconstância é o que gera a pressão sobre o anfitrião. Jogar em casa traz vantagens, mas também multiplica a cobrança: uma campanha fraca diante da própria torcida seria um golpe duro para um projeto que aposta tão alto. Pochettino sabe que o início do torneio é decisivo para construir confiança.

O "sonho americano" e o que está em jogo

Pochettino resumiu bem o espírito do projeto ao falar sobre as ambições da seleção: "O sonho americano é acreditar que tudo é possível." É essa mentalidade que o argentino tenta incutir no grupo — a ideia de que um país que historicamente não é potência no futebol pode, jogando em casa e com organização, ir mais longe do que nunca.

O futebol nos Estados Unidos vive um momento de crescimento sem precedentes. A MLS ganha projeção global, craques de nível mundial escolhem jogar no país, e a Copa de 2026 é vista como a grande vitrine para consolidar esse desenvolvimento. Uma boa campanha da seleção pode acelerar ainda mais a popularização do esporte num mercado gigantesco que historicamente preferiu o futebol americano, o basquete e o beisebol.

Para o torcedor brasileiro, acompanhar os EUA tem um sabor especial: foi em solo americano que o Brasil ergueu a taça em 1994, e é em solo americano — no MetLife Stadium — que o Brasil sonha em conquistar o hexa em 2026. Para acompanhar todos os jogos do torneio e a caminhada da Seleção, os jogos do Brasil na Copa 2026 têm o calendário completo com datas, horários e locais.