Sediar a Copa do Mundo é um dos processos mais disputados — e mais polêmicos — do esporte mundial. Da candidatura ao anúncio oficial da FIFA podem passar anos de lobby político, promessas bilionárias, viagens de delegações e, como revelou o escândalo de 2015 que derrubou a cúpula da FIFA, corrupção sistêmica. Como um país consegue o direito de sediar a Copa do Mundo? A resposta envolve política, dinheiro, infraestrutura e uma boa dose de jogo de bastidores.
Para entender os custos envolvidos nessa decisão, confira o artigo sobre quanto custa sediar uma Copa do Mundo. Aqui, o foco é no processo — como a FIFA decide quem recebe o maior torneio do planeta.
O processo oficial de candidatura
O processo formal começa quando a FIFA abre as candidaturas oficiais para uma edição específica da Copa — geralmente 10 a 12 anos antes do torneio. Os países interessados submetem um dossier de candidatura detalhado, com informações sobre estádios disponíveis (ou a construir), infraestrutura de transporte e hotelaria, capacidade de segurança, impacto econômico projetado e garantias governamentais.
A FIFA então envia inspeções técnicas ao país candidato para avaliar a viabilidade da candidatura. Um relatório técnico é produzido e distribuído aos membros do Conselho da FIFA, que são os votantes na decisão final. O voto acontece no Congresso da FIFA — o órgão máximo da entidade, composto por representantes das 211 federações filiadas.
Critérios técnicos avaliados pela FIFA
Oficialmente, os critérios técnicos incluem:
- Estádios: mínimo de 8 arenas (para Copa de 32 seleções) ou 16 (para Copa de 48), com capacidade mínima de 40.000 para jogos da fase de grupos e 80.000 para a final
- Aeroportos: capacidade de receber o fluxo de visitantes internacionais projetado
- Hotéis: número de quartos disponíveis nas cidades-sede e arredores
- Transporte: conectividade entre as cidades-sede por via aérea e terrestre
- Segurança: plano de segurança aprovado pelas autoridades nacionais
- Garantias governamentais: isenções fiscais para a FIFA, proteção de direitos de propriedade intelectual e garantias de não interferência do governo no torneio
O escândalo da FIFA e a sombra da corrupção
Em 2015, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos desencadeou uma das maiores investigações anticorrupção do esporte mundial — e o futebol nunca mais foi o mesmo. Dezenas de dirigentes da FIFA foram indiciados por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude relacionados a decisões sobre sedes de Copa do Mundo e outros torneios.
As investigações revelaram que votos para a escolha das sedes eram frequentemente negociados mediante suborno — incluindo as polêmicas concessões da Copa de 2018 para a Rússia e da Copa de 2022 para o Catar. O ex-presidente da FIFA Sepp Blatter e o ex-presidente da UEFA Michel Platini foram banidos do futebol por anos. O processo de escolha de sedes foi reformado após o escândalo — mas a suspeita sobre processos futuros permanece.
Como a Copa 2026 foi escolhida
A candidatura conjunta de Estados Unidos, Canadá e México para a Copa de 2026 foi aprovada em junho de 2018, no Congresso da FIFA realizado em Moscou, às vésperas da Copa daquele ano. A candidatura norte-americana venceu a do Marrocos por 134 votos a 65 — uma margem considerável.
A candidatura foi apresentada como a de menor risco e maior retorno financeiro para a FIFA — aproveitando infraestrutura já existente nos EUA, o mercado norte-americano de patrocinadores e o fuso horário favorável para transmissões na Europa e América do Sul. O Marrocos, que tentou pela quinta vez sediar uma Copa do Mundo, finalmente conseguirá o torneio em 2030 (Copa do Centenário, compartilhada com Espanha e Portugal).
Copas polêmicas: quando a escolha foi questionada
Além do Catar e da Rússia, outras escolhas de sede geraram controvérsia. A Copa de 1978 na Argentina foi concedida à junta militar — a candidatura havia sido aprovada antes do golpe de 1964, mas a FIFA nunca revogou a decisão. A Copa de 2034 foi concedida à Arábia Saudita em meio a críticas sobre direitos humanos — repetindo o padrão das polêmicas do Catar.
O processo de escolha de sedes da Copa do Mundo continua sendo um dos mais politizados do esporte mundial. A política e boicotes nas Copas detalha como a política sempre esteve presente no torneio. Para saber onde a Copa 2026 vai acontecer e conhecer os estádios escolhidos, confira os estádios da Copa 2026.


