Enviados especiais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viajaram ao Paquistão neste sábado (25) para uma nova rodada de negociações com o Irã, em busca de um acordo de paz após meses de conflito no Oriente Médio. Steve Witkoff e Jared Kushner representam Washington em Islamabad, enquanto o chanceler iraniano Abbas Araqchi já está no país com uma delegação. O vice-presidente JD Vance permanece nos Estados Unidos e não participa das tratativas.
Ministério da Defesa do Irã diz que EUA querem saída honrosa da guerra
O Ministério da Defesa iraniano afirmou neste sábado que os Estados Unidos estão em busca de uma forma de encerrar o conflito sem perder prestígio internacional. Um porta-voz do ministério declarou que o poder militar do Irã se mantém dominante e que o adversário tenta escapar do que chamou de atoleiro de guerra.
A declaração foi divulgada pela agência de notícias iraniana ISNA e ocorre justamente enquanto os emissários americanos desembarcam em Islamabad. A mídia estatal iraniana, no entanto, ressaltou que negociações diretas entre as partes não estão formalmente previstas — o Paquistão atuaria como mediador.
Paquistão como mediador: o papel de Islamabad nas negociações
A escolha do Paquistão como palco das conversações não é casual. O país tem relações diplomáticas com Teerã e mantém canais de comunicação com Washington, o que o posiciona como intermediário natural neste momento de tensão. Os ministros das Relações Exteriores do Egito e do Paquistão também conversaram por telefone para alinhar a aproximação diplomática entre as duas potências.
A delegação iraniana chegou a Islamabad ainda na sexta-feira (24), segundo informou a Reuters com base em fontes do governo do Irã. O chanceler Araqchi também tem viagens programadas a Mascate, no Omã, e a Moscou, na Rússia, como parte de uma rodada de consultas regionais sobre os desdobramentos do conflito.
Bloqueio do Estreito de Ormuz e impacto global no comércio
No centro das divergências está o Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento de petróleo mundial. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que nenhum navio navega pelo estreito sem autorização da Marinha americana. Segundo ele, apenas na manhã de sexta-feira, 34 embarcações foram obrigadas a retornar.
O bloqueio já provoca efeitos concretos na cadeia global de abastecimento. Empresas passaram a desembolsar até 4 milhões de dólares para fazer navios cruzarem o Canal do Panamá como rota alternativa — movimento que, segundo a Autoridade do Canal do Panamá, gerou uma mudança profunda nos fluxos de comércio internacional.
A União Europeia reagiu e exigiu a reabertura imediata do estreito. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou que a passagem deve ser reaberta sem restrições e sem cobrança de pedágio, em respeito ao direito internacional e à liberdade de navegação.
Irã mantém exportação de petróleo apesar do bloqueio americano
Dados da empresa de análise marítima Vortexa revelam que o Irã conseguiu transportar cerca de 10,7 milhões de barris de petróleo entre os dias 13 e 21 de abril, mesmo com o bloqueio naval em vigor. Os carregamentos foram feitos por seis petroleiros com os sistemas de localização desligados — o que contradiz a narrativa do governo Trump de que a economia iraniana está sendo totalmente estrangulada.
Líbano e cessar-fogo: trégua prorrogada por mais três semanas
No Líbano, Trump anunciou na quinta-feira (23) a prorrogação do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah por mais três semanas. A trégua, que havia entrado em vigor em 16 de abril com previsão inicial de dez dias, foi renovada após reunião entre autoridades dos dois países em Washington.
Apesar do acordo, os dois lados trocaram acusações mútuas de violação da trégua nos últimos dias. O Hezbollah declarou que o cessar-fogo só faz sentido se Israel cumprir integralmente suas obrigações. Já o governo libanês confirmou que duas pessoas morreram em um ataque aéreo israelense no sul do país durante o período de trégua.
A força de paz da ONU também registrou baixa: um soldado indonésio que havia sido ferido em março morreu nesta sexta-feira, elevando para seis o total de integrantes da missão mortos desde o início da guerra na região.
Contexto: três porta-aviões americanos no Oriente Médio pela primeira vez em 20 anos
A presença militar dos Estados Unidos na região é a maior em mais de duas décadas. O Comando Central do Exército americano (Centcom) confirmou que três porta-aviões operam simultaneamente no Oriente Médio: o USS Abraham Lincoln, o USS Gerald Ford e o USS George Bush — situação que não ocorria desde a guerra do Iraque, em 2003.
Mesmo com o discurso público de que o Irã teve suas capacidades militares desmanteladas, a inteligência interna do Pentágono apresentou a parlamentares americanos uma avaliação distinta: o Irã ainda manteria milhares de mísseis e drones de ataque operacionais, segundo relatos da rede NBC.


