A Copa do Mundo é, na maioria das vezes, um festival de alegria, fraternidade e paixão pelo futebol. Mas ao longo da sua história, o torneio também teve seus momentos sombrios ligados à violência de torcedores — os hooligans. De confrontos nas arquibancadas a batalhas campais nas ruas das cidades-sede, a violência nas Copas do Mundo foi um problema real que exigiu respostas drásticas e que moldou as políticas de segurança dos eventos esportivos globais.

O contexto político e social que envolve esses episódios está detalhado em política e boicotes nas Copas. Aqui, o foco é especificamente na violência de torcedores — suas causas, seus episódios mais marcantes e como o futebol respondeu.

Os hooligans britânicos: origem de um fenômeno

O fenômeno dos hooligans — torcedores violentos organizados — surgiu principalmente no futebol inglês nas décadas de 1960 e 1970. Grupos de jovens, frequentemente ligados a movimentos de extrema direita, usavam os jogos de futebol como pretexto para confrontos físicos com torcidas rivais e com a polícia.

O pior episódio da história do futebol envolvendo violência de torcedores aconteceu na Copa da Bélgica (Heysel, 1985) — não na Copa do Mundo, mas na final da Copa dos Campeões da Europa. Torcedores do Liverpool invadiram a seção de torcedores da Juventus, causando uma debandada que matou 39 pessoas. O episódio levou ao banimento de todos os clubes ingleses das competições europeias por cinco anos e mudou permanentemente as políticas de segurança no futebol europeu.

A Copa de 1998: confrontos em Marselha

Na Copa de 1998 na França, os confrontos entre torcedores britânicos e marroquinos nas ruas de Marselha foram um dos episódios de violência mais graves de uma Copa do Mundo. Antes do jogo entre Inglaterra e Tunísia, grupos de hooligans ingleses se envolveram em batalhas campal com torcedores tunisianos e marroquinos nas ruas do centro de Marselha.

Centenas de pessoas ficaram feridas, dezenas foram presas e as imagens dos confrontos deram a volta ao mundo. A FIFA e as autoridades francesas responderam com medidas de segurança mais rigorosas — incluindo separação de torcedores em setores específicos e proibição de venda de álcool nas imediações dos estádios.

Como o futebol respondeu à violência

As respostas ao hooliganismo foram múltiplas e gradualmente eficazes. Na Inglaterra, o Relatório Taylor de 1990 (elaborado após a tragédia de Hillsborough em 1989, onde 96 torcedores morreram num colapso de grade em Sheffield) recomendou a conversão de todos os estádios ingleses para all-seater — eliminando as áreas em pé que facilitavam a movimentação de grupos violentos.

Outras medidas incluíram: sistemas de identificação de torcedores com cartões de sócio, câmeras de vigilância em todos os estádios, banimentos de viagens internacionais para torcedores com histórico de violência, e cooperação internacional de inteligência para identificar grupos de risco antes dos torneios.

A Copa do Mundo como evento relativamente seguro

Comparada a ligas domésticas europeias, a Copa do Mundo é historicamente um evento relativamente seguro em termos de violência de torcedores. A atmosfera de festival multicultural, com torcedores de dezenas de países convivendo pacificamente, tende a dissipar as tensões de rivalidades domésticas.

A Copa 2026 nos EUA, Canadá e México terá um aparato de segurança sem precedentes — incluindo cooperação entre as agências de segurança dos três países, sistemas de reconhecimento facial nos estádios e zonas de fan parks rigorosamente controladas. O objetivo é garantir que os estádios da Copa 2026 e as cidades-sede ofereçam uma experiência segura para os milhões de torcedores que vão ao torneio.