Toda Copa do Mundo revela heróis inesperados. Na estreia da Coreia do Sul na Copa 2026, esse herói não foi o nome estampado nas camisas vendidas pelo mundo todo — não foi Son Heung-min, o capitão e craque do Tottenham. Foi Hwang In-beom, o meio-campista do Feyenoord que protagonizou os 90 minutos mais explosivos de sua carreira internacional e, com um golaço e uma assistência, virou sozinho o jogo contra a Tchéquia, garantindo o triunfo asiático por 2 a 1 em Guadalajara.

Num dia em que a estrela máxima do time ficou apagada, foi o coadjuvante quem assumiu o papel de protagonista. E fez isso de forma tão brilhante que jornais de Portugal, Espanha e Argentina dedicaram manchetes ao feito. Conheça o jogador que entrou para a história da Copa 2026 com uma das jogadas mais bonitas do torneio.

O golaço de cavadinha que correu o mundo

O momento que definiu a noite de Hwang In-beom aconteceu no segundo tempo, com a Coreia do Sul perdendo por 1 a 0 para a Tchéquia. Após receber um passe preciso de Lee Kang-in, do Paris Saint-Germain, In-beom invadiu a área adversária e fez o que poucos jogadores teriam coragem de tentar num jogo de Copa do Mundo: driblou o goleiro Matej Kovár e o zagueiro Hranác, deixando os dois no chão, e tocou a bola por cobertura — uma cavadinha de pura categoria — para o fundo das redes.

O empate veio depois de uma jogada coletiva de mais de 20 toques na bola, coroada por um lance de genialidade individual. Foi o tipo de gol que faz torcedores de todo o mundo levantarem da cadeira, independentemente de qual time apoiam. Nas redes sociais, a transmissão brasileira da CazéTV reagiu com euforia, classificando o lance como "golaço", "pintura" e "humilhação" — um gol digno de Copa do Mundo.

O jornal português A Bola resumiu o sentimento geral com uma manchete certeira: foi uma "reviravolta com gol que não merecia ser de madrugada", em referência ao horário tardio em que o jogo foi transmitido na Europa. A qualidade da jogada mereceria uma plateia global desperta.

Não parou no gol: a assistência que selou a virada

Se o golaço já garantiria a Hwang In-beom o status de melhor em campo, ele não se contentou. Poucos minutos após o empate, foi dele também a jogada que decretou a virada. In-beom recebeu lançamento de Paik Seung-ho, avançou pela esquerda e cruzou na medida para Oh Hyeon-gyu — atacante recém-entrado — finalizar de primeira e fazer o 2 a 1.

Em cerca de 13 minutos, o meio-campista participou diretamente dos dois gols que transformaram uma derrota iminente em vitória. Gol e assistência numa estreia de Copa do Mundo, contra um adversário europeu organizado, é o tipo de atuação que define carreiras e que coloca um jogador no mapa do futebol mundial de uma vez por todas.

O detalhe que torna o feito ainda mais notável: In-beom vinha de um longo período sem participações diretas em gols pela seleção. Encerrou esse jejum justamente no palco mais importante possível — a estreia em um Mundial. O jornal espanhol As cravou que "a Coreia do Sul encontra um herói", enquanto o Marca destacou a dupla formada por ele e Son Heung-min como decisiva para a virada.

Quem é Hwang In-beom, o cérebro do meio-campo coreano

Hwang In-beom é um meio-campista que atualmente defende o Feyenoord, da Holanda — um dos clubes mais tradicionais do futebol europeu. Sua função na seleção sul-coreana é a de organizador, o jogador que comanda o ritmo da equipe, distribui os passes e liga a defesa ao ataque. É o tipo de meia que nem sempre aparece nas manchetes, mas cuja ausência seria imediatamente sentida pelo time.

Contra a Tchéquia, In-beom não apenas controlou o jogo como também resolveu — algo que vai além do seu papel habitual. Ele encarnou a identidade da Coreia do Sul moderna: uma seleção que aposta na troca rápida de passes, na movimentação constante e na inteligência coletiva, em contraste com o futebol mais físico e direto de adversários como a própria Tchéquia.

A atuação reforça uma tendência importante para a Coreia do Sul nesta Copa: a equipe não depende exclusivamente de Son Heung-min para criar e decidir. Ter um segundo (e até terceiro) nome capaz de assumir a responsabilidade em momentos decisivos é o que separa seleções que fazem boas campanhas das que dependem de um único craque inspirado.

O contraste com Son Heung-min, apagado na estreia

A grande atuação de Hwang In-beom ganhou ainda mais relevância pelo contraste com o dia discreto do capitão Son Heung-min. Escalado como referência ofensiva, o atacante do Tottenham finalizou bastante, mas não teve sua habitual precisão. As estatísticas mostram que ele desperdiçou pelo menos três chances claras de gol, acumulando um número de gols esperados (xG) de apenas 0,65 — ou seja, teve oportunidades, mas não converteu.

Não é incomum que o principal craque de uma seleção tenha um dia abaixo do esperado. O que separa as boas equipes é ter alternativas quando isso acontece. E a Coreia do Sul mostrou na estreia que tem exatamente isso: quando Son não brilhou, In-beom assumiu o protagonismo e carregou o time nas costas.

Para Son, o lado positivo é que a vitória tira a pressão de cima dele para os próximos jogos. Com os três pontos já garantidos na estreia, o capitão pode entrar no duelo contra o México — na próxima quinta-feira, em Guadalajara — com mais tranquilidade para reencontrar seu melhor futebol. E se ele voltar a funcionar em parceria com um In-beom inspirado, a Coreia do Sul pode ser um adversário muito mais perigoso do que muitos imaginavam.

A estreia deixou claro que esta Coreia do Sul tem mais de um herói possível. E numa Copa do Mundo, onde os detalhes decidem tudo, ter profundidade de talento é uma vantagem que pode levar a seleção asiática longe no torneio. Para acompanhar todos os jogos da Copa 2026 e a caminhada da Seleção Brasileira, os jogos do Brasil na Copa 2026 têm o calendário completo. Veja também a análise completa da virada da Coreia do Sul sobre a Tchéquia.