Nenhum objeto no mundo do futebol carrega mais simbolismo do que a taça da Copa do Mundo. Levantada pelos maiores jogadores da história, beijada por campeões que sonharam a vida inteira com aquele momento e guardada a sete chaves pela FIFA, a taça da Copa do Mundo é o prêmio mais cobiçado do esporte coletivo. Mas poucos sabem que, na verdade, já existiram duas taças diferentes ao longo da história do torneio — e a história de cada uma delas é tão fascinante quanto as próprias Copas.

Para entender o contexto histórico dessas taças, vale conhecer a história e formato da Copa do Mundo — que cobre a evolução do torneio desde sua primeira edição em 1930.

A Taça Jules Rimet: o troféu original (1930–1970)

A primeira taça da Copa do Mundo foi criada pelo escultor francês Abel Lafleur e batizada em homenagem a Jules Rimet, presidente da FIFA que idealizou e criou o torneio. Feita em prata dourada sobre uma base de lápis-lazúli azul, a taça representa a deusa grega da vitória, Niké, segurando um cálice de oito lados.

A Taça Jules Rimet foi posta em jogo a partir de 1930 com uma condição especial: o país que a vencesse por três vezes ficaria com ela permanentemente. O Brasil foi o primeiro e único país a conquistar esse direito, ao vencer o tricampeonato em 1970 com Pelé, Tostão e Rivelino. Com o título do México, a taça foi entregue definitivamente à Confederação Brasileira de Futebol.

Mas a história da Taça Jules Rimet não termina ali — e tem capítulos sombrios. A taça foi roubada duas vezes na história. Em 1966, na Inglaterra, dias antes da Copa, ela foi furtada de uma exposição em Londres. Foi encontrada dias depois por um cachorro chamado Pickles, embrulhada em jornal debaixo de um arbusto. Em 1983, no Brasil, a taça foi roubada novamente — desta vez, nunca mais foi encontrada. A CBF chegou a produzir uma réplica em ouro maciço, mas o original permanece desaparecido até hoje.

A FIFA World Cup Trophy: a taça atual (desde 1974)

Com a perspectiva de que o Brasil poderia ganhar a taça original definitivamente em 1970, a FIFA encomendou um novo troféu para substituir a Taça Jules Rimet. O projeto foi escolhido por concurso entre 53 escultores de 7 países diferentes, e o vencedor foi o italiano Silvio Gazzaniga.

A FIFA World Cup Trophy — como é oficialmente chamada — foi usada pela primeira vez na Copa de 1974, na Alemanha Ocidental, quando Johan Cruyff e a Holanda foram vice-campeões para a Alemanha de Gerd Müller. O troféu tem 36,8 centímetros de altura, pesa 6,175 quilogramas e é feito de ouro maciço de 18 quilates. Sua base contém duas camadas de malaquita verde.

O design representa duas figuras humanas em momento de triunfo, segurando a Terra acima de suas cabeças — uma metáfora do futebol como esporte que une o mundo. Ao contrário da Taça Jules Rimet, a FIFA World Cup Trophy nunca fica permanentemente com nenhum país: cada campeão recebe uma réplica de ouro banhado, enquanto o original retorna à custódia da FIFA após cada edição.

Quem já levantou a taça?

Desde 1974, quando a FIFA World Cup Trophy passou a ser usada, apenas seis países a levantaram:

  • Alemanha Ocidental / Alemanha: 1974, 1990 e 2014 — três títulos com a taça atual
  • Argentina: 1978, 1986 e 2022 — a atual detentora da taça
  • Itália: 1982 e 2006
  • Brasil: 1994 e 2002 — dois títulos com a taça atual (mais três com a Jules Rimet)
  • França: 1998 e 2018
  • Espanha: 2010

Uruguai (1930 e 1950) e Inglaterra (1966) venceram apenas com a Taça Jules Rimet e ainda não conquistaram o torneio com o troféu atual. Ambas as seleções chegam à Copa 2026 como candidatas históricas a encerrar esse jejum.

As estrelas na camisa: o símbolo dos títulos

Além da taça, cada título da Copa do Mundo é representado por uma estrela dourada costurada acima do escudo na camisa da seleção campeã. O Brasil, com cinco títulos, usa cinco estrelas — a seleção com mais estrelas do mundo. A Argentina, com três títulos, ostenta três estrelas. Alemanha, França e Itália, com quatro cada, usam quatro estrelas.

As estrelas são um símbolo de identidade nacional que vai além do futebol — elas aparecem em produtos, bandeiras de torcedores e decorações nas ruas durante as Copas. Para os brasileiros, a busca pelo hexacampeonato representa não apenas um sexto título, mas uma sexta estrela que consolidaria ainda mais a hegemonia histórica do país no torneio. A história da Seleção Brasileira nas Copas mostra como cada um desses títulos foi conquistado.

A taça que o Brasil quer mais uma vez

Em 2026, a FIFA World Cup Trophy estará em disputa pela 14ª vez desde sua criação. A Argentina de Messi (que pode ou não estar na Copa, dependendo de sua decisão) tentará defendê-la. O Brasil de Ancelotti vai buscá-la pela terceira vez com o troféu atual — e pela sexta vez na história.

Seja levantada por quem for em 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey, a taça carregará mais uma vez o peso de todas as Copas anteriores, de todos os jogadores que sonharam com ela e de todos os torcedores que acompanharam cada edição. Para acompanhar os favoritos ao título da Copa 2026 e quem está mais perto de segurar o troféu em 2026, o contexto histórico da taça ajuda a entender o que está em jogo.