No dia 24 de junho, o Brasil fecha sua participação na fase de grupos da Copa 2026 contra a Escócia — possivelmente num jogo que pode definir posições no Grupo C. E o adversário não é qualquer um: a Escócia volta a uma Copa do Mundo após 28 anos de ausência, traz um elenco recheado de jogadores da Premier League e da Série A italiana, e carrega consigo uma das torcidas mais lendárias do futebol mundial, o Tartan Army. Conheça em detalhes a seleção escocesa que vai cruzar o caminho do Brasil.

O Grupo C e os jogos da Escócia

A Escócia está no Grupo C da Copa 2026, junto de Brasil, Marrocos e Haiti. Os escoceses estreiam no dia 13 de junho contra o Haiti, em Boston. Depois enfrentam Marrocos, antes de fecharem a fase de grupos contra o Brasil, no dia 24 de junho — a última partida da Seleção brasileira na primeira fase.

A expectativa é que a Escócia dispute diretamente com Marrocos a segunda vaga do grupo para o mata-mata, já que o Brasil aparece como amplo favorito à liderança. Dependendo dos resultados das rodadas anteriores, o duelo contra o Brasil pode ser decisivo para os escoceses — o que torna o confronto potencialmente mais tenso do que o favoritismo brasileiro sugere.

O fim de um jejum de 28 anos

Entre as décadas de 1970 e 1990, a Escócia era presença frequente em Copas do Mundo, com seis classificações em sete edições. Mas depois do Mundial da França, em 1998, veio um longo jejum: quase três décadas sem conseguir vaga no maior torneio do planeta. Para um país com tradição futebolística e uma paixão imensa pelo esporte, essa ausência doía.

A classificação para 2026 veio de forma dramática e emocionante. A Escócia garantiu a vaga direta ao bater a Dinamarca por 4 a 2 no Hampden Park, em Glasgow, num jogo de tirar o fôlego. O capitão Scott McTominay abriu o placar logo nos primeiros minutos com um golaço de bicicleta, e a seleção segurou a classificação após muito drama. Foi a festa de uma nação inteira que esperava esse momento havia 28 anos.

Curiosamente, a Escócia reencontra o Brasil numa Copa do Mundo — um confronto que já aconteceu em outras edições do torneio e que sempre teve o peso de Davi contra Golias. Agora, os escoceses buscam algo inédito: avançar pela primeira vez na história para a fase de mata-mata de uma Copa do Mundo, feito que nunca conseguiram em todas as suas participações.

Scott McTominay: o craque do Napoli que lidera a Escócia

O principal nome da seleção escocesa é o meio-campista Scott McTominay. Após anos no Manchester United, o jogador se transferiu para o Napoli e vive a melhor fase da carreira — foi peça fundamental na conquista do Campeonato Italiano na temporada 2024/25, assumindo protagonismo total tanto no clube quanto na seleção.

McTominay é um meio-campista box-to-box completo: tem força física, chegada à área, qualidade de finalização e uma habilidade rara de aparecer nos momentos decisivos. Foi dele a bicicleta que abriu o caminho da classificação contra a Dinamarca, e ele tem histórico de fazer gols importantes pela seleção. Para o Brasil, neutralizar McTominay será uma das tarefas centrais do meio-campo de Casemiro e Bruno Guimarães.

Um elenco forjado na Premier League e na Série A

A grande força da Escócia é a qualidade e a experiência do seu elenco, formado por jogadores de ligas de primeira linha. No meio-campo, além de McTominay, joga Billy Gilmour, também do Napoli, formando uma dupla que conhece bem o futebol italiano de alto nível. Lewis Ferguson, do Bologna, completa o trio de escoceses na Série A. E John McGinn, do Aston Villa, é uma peça fundamental conhecida pela intensidade e pelo trabalho incansável.

Na defesa, o capitão Andy Robertson, do Liverpool, é um dos melhores laterais-esquerdos do mundo na última década, com Champions League e Premier League no currículo. Kieran Tierney, do Celtic, e Aaron Hickey, do Brentford, dão profundidade às laterais. No gol, a convocação teve uma surpresa: o experiente Craig Gordon, de 43 anos, foi chamado mesmo sem atuar com regularidade — um símbolo da valorização da experiência por parte do técnico Steve Clarke.

O ponto fraco da Escócia, reconhecido até pela própria imprensa britânica, é a ausência de um centroavante artilheiro de elite. Nomes como Che Adams, do Torino, Lawrence Shankland e Lyndon Dykes dividem a função, mas nenhum tem a regularidade goleadora que uma seleção precisa para ir longe num Mundial. É a maior fragilidade que o Brasil pode explorar.

O Tartan Army: uma das torcidas mais lendárias do mundo

Falar da Escócia em Copas do Mundo é falar do Tartan Army — o "Exército de Tartã", apelido da apaixonada torcida escocesa. Famosos pela alegria, pela bebida, pelos kilts (as saias tradicionais escocesas) e por transformar qualquer cidade que visitam numa festa, os torcedores escoceses são reconhecidos mundialmente pelo comportamento festivo e pacífico, em contraste com o estereótipo de hooligan associado a algumas torcidas britânicas.

A presença do Tartan Army nos estádios dos Estados Unidos promete colorir a Copa 2026. Mesmo nos longos anos de ausência em Mundiais, os escoceses mantiveram viva a tradição de seguir sua seleção pelo mundo. O reencontro com uma Copa do Mundo após 28 anos vai ser celebrado em grande estilo — e o jogo contra o Brasil, uma das maiores potências do futebol, tem tudo para ser um dos pontos altos dessa festa.

Vale registrar um detalhe simbólico: o anúncio da convocação escocesa foi narrado pelo ator Ewan McGregor, astro de Hollywood e orgulhoso escocês — uma mostra de como a volta à Copa mobilizou o país inteiro, do futebol ao cinema.

O que esperar de Brasil x Escócia na Copa 2026

Diferentemente do Haiti, a Escócia é um adversário que o Brasil precisa respeitar do primeiro ao último minuto. É uma seleção fisicamente forte, taticamente organizada, com jogadores acostumados à pressão das maiores ligas do mundo e com um meio-campo de qualidade real. Se o jogo do dia 24 de junho tiver os escoceses precisando de um resultado para avançar, o Brasil enfrentará uma equipe lançada ao ataque e com tudo a ganhar.

A favor do Brasil estão a qualidade individual muito superior, a velocidade dos atacantes e a profundidade de elenco. Contra times fisicamente fortes e organizados, o Brasil de Ancelotti precisará usar a criatividade de Vinicius Jr., Raphinha e companhia para quebrar o bloco escocês — e a velocidade nas transições para explorar os espaços que o Tartan Army deixar ao atacar.

Será um confronto entre o talento sul-americano e a garra britânica, exatamente o tipo de duelo de estilos que faz a Copa do Mundo ser o que é. Para acompanhar cada passo da Seleção rumo ao hexacampeonato, os jogos do Brasil na Copa 2026 têm o calendário completo. Conheça também os outros adversários do grupo na apresentação do Haiti e na análise de Brasil x Marrocos.