Na última semana de abril, a cena se repetiu: um após o outro, três dos mais promissores jogadores da Europa sofreram lesões graves na coxa. Estevão (Chelsea), Éder Militão (Real Madrid) e Lamine Yamal (Barcelona) entraram na corrida contra o tempo antes da Copa do Mundo 2026, que começa em menos de 50 dias nos Estados Unidos, Canadá e México.
As lesões reavivam um debate cada vez mais urgente no futebol europeu: o calendário inchado, os números crescentes de jogos e o impacto direto na saúde dos atletas. Enquanto clubes se veem ameaçados pela perda de ativos valiosos, as seleções monitoram de perto a recuperação de peças fundamentais para suas campanhas.
Estevão em situação crítica: cirurgia ou tratamento conservador?
Estevão sofreu uma lesão grau quatro na musculatura posterior da coxa no último sábado (18 de abril), durante a partida Chelsea x Manchester United, e dificilmente terá condições de disputar o mundial. O jovem atacante de 18 anos precisou ser substituído logo aos 16 minutos do jogo.
Segundo informações divulgadas na última quarta-feira (22), houve uma reunião entre Chelsea, Estevão e CBF para discutir a possibilidade de um tratamento conservador que pudesse permitir sua participação na Copa. O jogador pediu autorização ao clube para evitar cirurgia, mas a gravidade da lesão torna essa opção extremamente arriscada.
O atleta pretende retornar ao Brasil para seguir o tratamento e tentar se recuperar até a Copa do Mundo, com primeira disputa da Seleção Brasileira marcada para 13 de junho. A expectativa médica é de quatro meses de recuperação, o que coincidiria com o fim da Copa, não o seu início.
Militão: histórico preocupante de lesões musculares
Éder Militão sofreu uma lesão muscular no bíceps femoral da perna esquerda, diagnosticada após exames realizado nesta quinta-feira (23 de abril) pelo Real Madrid. O zagueiro sentiu o incômodo durante a vitória merengue por 2 a 1 sobre o Alavés, na terça-feira (21).
A previsão é que o zagueiro fique afastado por cerca de quatro semanas, mas deve se recuperar a tempo para a Copa do Mundo. Porém, o contexto é preocupante: Militão já ficou mais de 200 dias afastado em 2024 por ruptura parcial de ligamento no joelho, e esta temporada (2025/26) registra histórico de problemas musculares frequentes.
Para a Seleção Brasileira, a presença plena de Militão é fundamental. O zagueiro é apontado como provável titular na defesa, podendo também ocupar a lateral direita em um sistema de quatro defensores. Com uma taxa de presença em campo inferior a 30% nas últimas duas temporadas, sua capacidade de render ao máximo no Mundial é questionável.
- Temporada 2023/24: 13 de 55 jogos (23% de presença)
- Temporada 2024/25: 18 de 68 jogos (26% de presença)
- Temporada 2025/26 (até agora): 21 jogos (42% de presença)
Yamal: impacto direto na Espanha e no nível técnico da Copa
Lamine Yamal, camisa 10 do Barcelona, deixou o gramado após sofrer uma lesão durante a partida contra o Celta de Vigo no estádio Camp Nou em 22 de abril de 2026. O atacante de 18 anos tinha marcado um pênalti que deu a vitória por 1 a 0 ao Barcelona, mas sentiu a lesão na cobrança.
Os exames realizados confirmaram que Lamine Yamal sofreu uma lesão no bíceps femoral da perna esquerda e passará por um tratamento conservador, perdendo o restante da temporada, mas está previsto que esteja disponível para a Copa do Mundo.
A gravidade da lesão de Yamal vai além do futebol espanhol. Especialistas apontam que o jovem gênio poderia sair do time de favoritos da Espanha e colocá-la em um grupo intermediário de seleções. Yamal era o principal criador de oportunidades do Barcelona, com 24 gols em todas as competições nesta temporada — era o artilheiro do clube.
"Sem o Yamal, a Espanha sai daquele grupo de favoritos. Ela volta àquele problema crônico da falta de criatividade. Tem a bola, domina, se impõe, mas quem faz gol? Quem finaliza?" — Análise de especialista em futebol europeu
O calendário excessivo e o custo para os atletas
As três lesões simultâneas reacendem um debate que cresceu na Europa nos últimos anos: o calendário cada vez mais denso. A Champions League expandida, a criação da Nations League, a Copa do Mundo de Clubes agora como campeonato no fim de temporada, além das Supercopas que viraram mini-torneios — tudo isso aumenta exponencialmente o número de jogos.
O futebol movimenta bilhões de dólares e precisar mover esse dinheiro gera pressão por mais competições e mais receita. Mas o preço é cobrado dos corpos dos atletas. Lesões no bíceps femoral da coxa, uma região já fragilizada após lesões anteriores, vêm se tornando cada vez mais comuns entre estrelas do esporte.
Países como Espanha e Itália já têm Supercopas disputadas na Arábia Saudita, com times viajando para o exterior em períodos de recuperação. Real Madrid e Barcelona, nos últimos anos, enfrentaram críticas pela gestão de carga nos seus melhores jogadores — particularmente durante períodos de pré-temporada europeia.
Seleção Brasileira e Copa sob nuvem de dúvida
Além de Estevão e Militão, a Seleção Brasileira sofre com outros desfalques importantes. O goleiro Ederson está com desempenho irregular no Fenerbahçe, Alisson está lesionado, e Rafinha — apontado por muitos como o melhor jogador brasileiro na Europa nesta temporada — também está machucado.
Carlo Ancelotti, técnico da seleção, deverá fazer a convocação final em 18 de maio, antes da primeira partida do Brasil em 13 de junho. Com tantos nomes em dúvida quanto sua condição física, o técnico português chegará à Copa com mais incertezas do que certezas sobre a composição de seu time.
A Copa do Mundo 2026 começa sem seus dois principais astros brasileiros confirmados. Para o espetáculo global, a ausência de Estevão, a presença incerta de Militão, e a lesão de Yamal já mudam a narrativa de um torneio que deveria ser filmado nos Estados Unidos.


