Em 1930, apenas 13 seleções disputaram a primeira Copa do Mundo. Em 1982, o torneio chegou a 24 equipes. Em 1998, a 32. E em 2026, pela primeira vez na história, 48 seleções vão disputar o maior torneio de futebol do planeta. A evolução do formato da Copa do Mundo ao longo de quase um século reflete as transformações do futebol global, as disputas políticas entre confederações e a busca da FIFA por mais representatividade e mais receita.

Entender como chegamos ao formato atual é entender como o futebol se tornou verdadeiramente global. A história e formato da Copa do Mundo aborda os aspectos gerais do torneio, mas a história da expansão merece uma análise própria — especialmente às vésperas da Copa 2026, que será a maior edição de todos os tempos.

1930–1938: os primeiros formatos (13 a 16 seleções)

As três primeiras Copas do Mundo (1930, 1934 e 1938) não tiveram um formato fixo e sofreram com desistências e boicotes. Em 1930, 13 seleções participaram de um formato de fase de grupos direto para a semifinal. Em 1934 e 1938, o torneio usou um formato de eliminatórias diretas desde o início — um mata-mata desde o primeiro jogo, sem fase de grupos.

A Copa de 1938 na França já contava com 16 seleções confirmadas, mas a Áustria foi dominada pela Alemanha antes do torneio (o Anschluss) e foi retirada da competição, deixando o torneio com 15 equipes. Foi a última Copa antes da Segunda Guerra Mundial interromper o torneio por 12 anos.

1950–1978: a era das 16 seleções

De 1950 a 1978 — com exceção de alguns ajustes pontuais causados por desistências —, a Copa do Mundo foi disputada com 16 seleções. O formato padrão era: fase de grupos classificando seleções para uma fase semifinal (também em grupos ou eliminatórias diretas) e então a final.

Nessa era, a dominância era quase total de Europa e América do Sul. As vagas para África, Ásia e CONCACAF eram escassas — em alguns torneios, as seleções dessas confederações precisavam disputar repescagens intercontinentais para garantir uma única vaga. A Copa era geograficamente restrita, mesmo sendo chamada de Mundial.

A Copa de 1970 no México ficou marcada como o auge do futebol com 16 seleções: o Brasil de Pelé, a Itália de Riva, a Alemanha de Müller. Todos os grandes nomes em apenas 32 jogos. Mas as críticas sobre a falta de representatividade global já ecoavam nos corredores da FIFA.

1982: a expansão para 24 seleções

Em 1982, na Espanha, a Copa do Mundo deu seu primeiro grande salto: de 16 para 24 seleções. A expansão permitiu mais vagas para África (de 1 para 2), Ásia (de 1 para 2) e CONCACAF (de 1 para 2). Foi nessa Copa que Camarões fez sua estreia histórica e que a Argélia derrotou a Alemanha Ocidental — um dos maiores resultados da história do torneio.

O formato de 24 seleções gerou um torneio com 52 jogos e uma fase de grupos com 6 grupos de 4 equipes, classificando os dois primeiros e os 4 melhores terceiros colocados para uma segunda fase de grupos — um formato que muitos consideravam confuso. Foi também nessa Copa que aconteceu a maior goleada da história: Hungria 10 x 1 El Salvador, detalhada nas maiores goleadas da Copa do Mundo.

1998: a era dourada das 32 seleções

Em 1998, na França, a Copa do Mundo chegou ao formato que ficaria por 28 anos: 32 seleções divididas em 8 grupos de 4, com os dois primeiros de cada grupo avançando para as oitavas de final — um mata-mata direto até a final. O formato era limpo, equilibrado e produziu algumas das Copas mais emocionantes da história.

A expansão para 32 seleções beneficiou principalmente África (que passou de 3 para 5 vagas), Ásia (de 2 para 4,5) e CONCACAF (de 2 para 3,5). Com mais representatividade, as surpresas se multiplicaram: a Coreia do Sul chegou à semifinal em 2002, a Turquia ficou em terceiro, o Senegal foi às quartas. O futebol global estava se tornando competitivo de verdade.

O formato de 32 seleções com 64 jogos foi utilizado em oito edições consecutivas: 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Nesse período, assistimos aos recordes de jogadores na Copa do Mundo de Klose, às campanhas épicas do Brasil de 2002 e ao curiosidades e mistérios da Copa do Mundo de cada edição.

2026: o salto para 48 seleções

Em 10 de janeiro de 2017, a FIFA confirmou oficialmente: a Copa do Mundo de 2026 seria disputada com 48 seleções — o maior salto na história do torneio desde a criação do evento. A decisão foi aprovada com 211 votos a favor e 22 contra no Congresso da FIFA, sob a presidência de Gianni Infantino.

A distribuição de vagas no novo formato beneficia principalmente as confederações menos representadas:

  • UEFA (Europa): 16 vagas (eram 13)
  • CAF (África): 9 vagas (eram 5)
  • AFC (Ásia): 8,5 vagas (eram 4,5)
  • CONMEBOL (América do Sul): 6 vagas (eram 4,5)
  • CONCACAF (América do Norte/Central/Caribe): 6,5 vagas (eram 3,5)
  • OFC (Oceania): 1 vaga (eram 0,5)

O formato é composto por 12 grupos de 4 seleções, com os dois primeiros e os oito melhores terceiros colocados avançando para as oitavas de final — totalizando 32 classificados. São 104 jogos ao longo de 39 dias.

Críticas e defesas da expansão para 48

A expansão para 48 seleções não foi unânime. Críticos argumentam que a qualidade dos jogos na fase de grupos pode cair com a inclusão de seleções de menor nível, e que o formato com terceiros colocados classificados cria situações em que uma seleção pode avançar com apenas uma vitória e dois empates.

Os defensores respondem que a representatividade global é fundamental para o crescimento do futebol em continentes emergentes, que mais jogos significam mais receita para reinvestir no desenvolvimento do esporte, e que surpresas como a campanha de Marrocos em 2022 — que chegou à semifinal como a primeira seleção africana a tanto — mostram que o futebol fora da Europa e América do Sul já tem qualidade para competir.

Os grupos da Copa 2026 já formados para 2026 mostram que o novo formato cria grupos equilibrados mas também confrontos altamente desequilibrados. A Copa do Mundo em evolução constante é parte do que a mantém como o maior espetáculo do planeta.

O que vem depois de 48?

Gianni Infantino já sinalizou que a FIFA estuda uma expansão ainda maior no futuro — possivelmente para 64 seleções em edições a partir de 2030 ou 2034. A ideia é dividir o torneio em rodadas continentais antes da fase final global. Se concretizada, seria a maior transformação da Copa do Mundo em toda a sua história.

Por enquanto, o foco é na Copa 2026. Com 48 seleções, 104 jogos e três países-sede, ela já é historicamente única. Para conhecer as arenas onde tudo vai acontecer, confira os estádios e cidades-sede da Copa 2026 que vão receber o maior torneio de futebol de todos os tempos.