Antes da primeira bola rolar na Copa 2026, o Brasil já perdeu três jogadores que seriam titulares. Estevão, Éder Militão e Rodrigo — todos com lesões que os impediram de estar na lista de Ancelotti. É a maior crise de baixas da Seleção em anos, e o impacto vai além dos nomes: afeta o sistema, a dinâmica e as expectativas.
Vinicius Jr. falou sobre cada uma dessas ausências na entrevista à CazéTV — com tristeza genuína e com a lucidez de quem também já esteve do lado de fora por lesão.
Estevão: o chute que Vini não tem
A declaração mais surpreendente da entrevista veio quando Vinicius falou sobre Estevão: Tem um chute que se eu tivesse esse chute aí, eu faria muito mais gol na temporada. O maior jogador brasileiro da atualidade admitindo que o adolescente do Chelsea tem uma qualidade técnica específica que ele próprio não possui. É o tipo de honestidade que define um atleta seguro de si.
Estevão era o nome mais esperado entre os jovens do elenco. Suas lesões — detalhadas em lesões de craques para a Copa 2026 — tiraram do Brasil um jogador que prometia ser o diferencial criativo que a seleção precisava contra defesas fechadas. Vini não escondeu a decepção: Tem uma personalidade incrível, vai voltar de lesão como sempre volta.
Militão: o vizinho que não vai estar lá
A relação de Vini com Éder Militão vai além do futebol — os dois são vizinhos em Madri e se encontram praticamente todos os dias. Militão, eu vejo todos os dias, disse Vini. A lesão que tirou o zagueiro da Copa tem um peso pessoal além do esportivo.
Militão seria titular absoluto. Sua combinação de velocidade, leitura de jogo e experiência europeia tornava a dupla Marquinhos-Militão uma das mais sólidas de toda a Copa. Sem ele, Ancelotti precisou reorganizar a zaga — com Gabriel Magalhães assumindo a posição. Uma solução capaz, mas diferente.
Rodrigo: o capitão que devia estar lá
Rodrigo era capitão da Seleção e um dos mais experientes do grupo. Sua lesão foi um dos maiores golpes do pré-Copa. Vinicius o citou no contexto de quem pratica liderança real — um jogador que seria titular e um dos mais importantes para nós.
A camisa 10, que Rodrigo usava na Seleção, passou temporariamente para Vinicius durante as ausências de Neymar e agora volta ao dono original. Mas Rodrigo fica de fora — e a liderança técnica que ele exercia precisará ser suprida por outros.
A mentalidade que Vini quer levar ao grupo
Diante das baixas, Vinicius foi direto: Não tem para onde correr. Não tem mais quem chamar. Somos os 26 jogadores que estamos aqui. Não tem como eu chamar o Casimiro para me ajudar.
É uma declaração de responsabilidade coletiva — quem está na lista precisa fazer valer o que os ausentes deixaram como legado. A Copa não espera por ninguém e as circunstâncias de cada seleção são o que são. O Brasil vai aos Estados Unidos com lacunas reais — e com qualidade suficiente para superá-las se o grupo estiver unido.
Como mostra a história da Seleção Brasileira nas Copas, o Brasil já ganhou Copas com elencos considerados incompletos. O tetracampeonato de 1994 não tinha o melhor time em papel — tinha coletividade e crença. Em 2026, a pergunta é se Ancelotti consegue replicar esse equilíbrio. Os jogos do Brasil na Copa 2026 vão mostrar a resposta a partir de 12 de junho.


