Por trás de cada título da Copa do Mundo, há um técnico que tomou as decisões certas nos momentos mais críticos. Escalações que mudaram o rumo do torneio, substituições que definiram finais, sistemas táticos que inauguraram novas eras no futebol. Os maiores técnicos da história da Copa do Mundo são tão importantes para a compreensão do torneio quanto os próprios jogadores — e suas histórias revelam como o futebol evoluiu taticamente ao longo de quase um século.

Para entender o contexto de cada época, a história e formato da Copa do Mundo dá a visão geral, enquanto os recordes de jogadores na Copa do Mundo mostram como os jogadores brilharam sob a orientação desses técnicos.

Vittorio Pozzo: o único bicampeão como técnico

Vittorio Pozzo é o único técnico na história a conquistar a Copa do Mundo duas vezes consecutivas — com a Itália em 1934 e 1938. Um feito que mais de 80 anos depois ainda não foi igualado. Pozzo desenvolveu um estilo de jogo físico e organizado, com foco na disciplina tática e na preparação intensa. Sua Itália de 1938 foi talvez mais completa do que a de 1934 — e o bicampeonato o coloca num patamar único na história do torneio.

Pozzo foi também o técnico que liderou a Itália ao título olímpico de 1936 — tornando-se o mais vitorioso treinador de seleções da era clássica do futebol. Seu legado é complexo por ter trabalhado sob o regime fascista de Mussolini, mas sua competência técnica é indiscutível.

Mário Zagallo: técnico e jogador campeão

Mário Zagallo é o único profissional a ter conquistado a Copa do Mundo como jogador (1958 e 1962) e como técnico (1970). Ao assumir a Seleção Brasileira poucos meses antes da Copa de 1970 no México, Zagallo herdou um elenco de talentos excepcionais e soube organizá-los numa equipe que é até hoje considerada o melhor time da história do futebol.

A Copa de 1970 do Brasil de Zagallo, Pelé, Tostão e Rivelino foi um espetáculo de futebol-arte — seis jogos, seis vitórias, 19 gols marcados e apenas 7 sofridos. Zagallo retornou à Copa de 1998 como coordenador técnico, quando o Brasil foi vice-campeão para a França. Uma carreira de décadas ligada à Copa do Mundo como poucos na história.

Franz Beckenbauer: campeão como jogador e técnico

Franz Beckenbauer é o segundo profissional da história (depois de Zagallo) a ser campeão mundial como jogador e como técnico. O Kaiser venceu como jogador com a Alemanha Ocidental em 1974 e como técnico da mesma seleção em 1990, vencendo a Argentina por 1 a 0 na final em Roma.

Beckenbauer foi também vice-campeão como técnico em 1986, quando sua Alemanha perdeu a final para a Argentina de Maradona por 3 a 2. Uma final em que, ao contrário da opinião popular, a Alemanha jogou bem — mas Maradona estava em outro nível. O Kaiser faleceu em janeiro de 2024, mas seu legado como o personagem mais vitorioso da história da Copa — tanto como jogador quanto como técnico — é permanente.

Didier Deschamps: a conquista discreta

Didier Deschamps conquistou a Copa do Mundo como jogador (França, 1998) e como técnico (França, 2018) — tornando-se o terceiro profissional da história a completar esse feito, depois de Zagallo e Beckenbauer. Como técnico, Deschamps é frequentemente criticado por um estilo defensivo e pouco espetacular, mas seus resultados falam mais alto: além do título em 2018, foi finalista em 2022 — a única seleção a chegar à final em duas edições consecutivas desde o Brasil de 1994 e 1998.

Carlos Alberto Parreira: a longevidade nas Copas

O brasileiro Carlos Alberto Parreira detém o recorde de participações em Copas como técnico: seis edições à frente de diferentes seleções (Kuwait em 1982, Emirados Árabes em 1990, Brasil em 1994, Arábia Saudita em 1998, Brasil em 2006 e África do Sul em 2010). Com o Brasil, conquistou o tetracampeonato em 1994 com a equipe de Romário e Bebeto.

Carlo Ancelotti e o desafio de 2026

O italiano Carlo Ancelotti chega à Copa 2026 como um dos técnicos mais respeitados da história do futebol — tetracampeão da Champions League e vencedor dos principais campeonatos europeus como treinador. Mas a Copa do Mundo é um desafio diferente de tudo que ele já enfrentou: um torneio de eliminatórias curtas, pressão enorme de uma nação inteira e a responsabilidade de acabar com 24 anos de jejum brasileiro.

A saga de Ancelotti para chegar ao comando da Seleção — detalhada em Ancelotti e a CBF — foi longa e cheia de reviravoltas. Mas o italiano está aqui, com a convocação da Seleção para a Copa 2026 feita e o Brasil pronto para buscar o hexacampeonato. Se Ancelotti vencer, juntará seu nome ao seleto grupo dos técnicos imortais da Copa do Mundo.