O Brasil vai enfrentar o Egito antes da Copa 2026 — e depois de 15 anos sem se encontrarem em campo. O último duelo entre as duas seleções foi em novembro de 2011, amistoso vencido pelo Brasil por 2 a 0. Muita coisa mudou desde então. O Egito de 2026 tem Mohamed Salah em seu melhor momento seletivo, Omar Marmoush entre os atacantes mais perigosos da Europa e uma geração que fez a melhor campanha de qualificação da história recente da seleção. Quem são os Faraós?
A volta ao Mundial após oito anos de ausência
O Egito ficou fora da Copa do Mundo de 2022 no Catar — uma ausência que frustrou Salah e toda uma geração de jogadores que estava no auge. Em 2026, a classificação foi conquistada de forma dominante: 8 vitórias e 2 empates nas Eliminatórias Africanas, 20 gols marcados e apenas 2 sofridos. O Egito liderou o Grupo A de forma invicta, com 5 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.
É a quarta participação do país em Copas do Mundo — após 1934, 1990 e 2018. E o objetivo declarado é histórico: os Faraós nunca venceram um jogo em Copa do Mundo. Em 2026, com Salah e Marmoush na frente, a ambição de chegar às oitavas pela primeira vez é real e fundamentada.
Mohamed Salah: a última Copa de um ídolo
Mohamed Salah tem 34 anos e esta será, muito provavelmente, sua última Copa do Mundo. O atacante do Liverpool é o maior jogador da história do futebol egípcio — artilheiro absoluto da seleção, com mais de 50 gols internacionais, duas vezes eleito Jogador Africano do Ano e vencedor de tudo pelo Liverpool: Premier League, Champions League, Copa da Inglaterra.
Nas Eliminatórias para a Copa 2026, Salah marcou 9 gols em 10 jogos — a mesma consistência do Liverpool transferida para a seleção. Seu estilo é direto: velocidade nas costas da defesa, finalização com o pé esquerdo de dentro da área e capacidade de criar do nada com um drible em velocidade.
Para o Brasil, o desafio de marcar Salah vai recair principalmente sobre o lateral-direito — uma posição que já deixou dúvidas no amistoso contra o Panamá, como analisado na análise tática após o jogo contra o Panamá. Um lateral que não conseguir marcar Salah vai ter um longo dia — e vai deixar Ancelotti com poucas respostas para a Copa.
Omar Marmoush: o nome que poucos conhecem mas todos vão conhecer
Se Salah é o ídolo histórico, Omar Marmoush é o presente e o futuro. O atacante do Manchester City tem 26 anos e foi um dos jogadores mais em forma de toda a temporada europeia 2024-25 — com números que rivalizaram com Erling Haaland em determinados períodos. Egípcio de origem, escolheu representar o país africano em vez da Alemanha, onde cresceu e jogou as categorias de base.
Marmoush é um atacante completo: velocidade, finalização com ambos os pés, capacidade de jogar pelos lados ou centralizado. Ao lado de Salah numa Copa do Mundo, forma uma dupla ofensiva que pode surpreender times muito melhores que o Egito no papel. Na Copa 2026, os torcedores que não o conhecem vão conhecer na fase de grupos — os Faraós estão no Grupo G com Bélgica, Irã e Nova Zelândia, grupo em que podem avançar.
Como o Egito joga — e o que isso significa para o Brasil
O técnico Hossam Hassan — maior artilheiro da história da seleção como jogador, com mais de 60 gols — organiza o Egito num 4-2-3-1 defensivo que rapidamente vira 4-4-2 sem a bola. O bloco é compacto, as linhas são fechadas e a equipe aposta nas transições rápidas: recupera, passa para Marmoush ou Salah em velocidade e pressiona a defesa antes da reorganização adversária.
É um estilo muito parecido com o de Marrocos — o adversário do Brasil na estreia da Copa. Jogar contra o Egito em Cleveland não é apenas o último teste antes do Mundial — é quase um ensaio geral para o que vem na semana seguinte. Se o Brasil resolver a marcação de Salah e a saída de bola pressionada, vai entrar no jogo contra Marrocos, adversário do Brasil na estreia com informação tática real.
O histórico Brasil x Egito — domínio absoluto
Brasil e Egito se enfrentaram seis vezes na história e o Brasil venceu todas as seis — o único retrospecto de 100% contra uma seleção africana que o Brasil tem em jogos oficiais e amistosos registrados. Os encontros mais recentes:
- 2012 (Olimpíadas): Brasil 3 x 2 Egito — jogo tenso, Brasil virou no segundo tempo
- 2011 (amistoso): Brasil 2 x 0 Egito — vitória tranquila
- 2009 (Copa das Confederações): Brasil 4 x 3 Egito — clássico com 7 gols, Salah estava chegando no futebol profissional
Nenhum desses jogos foi fácil como o placar pode sugerir. O Egito nunca foi um adversário passivo contra o Brasil — e com Salah e Marmoush em 2026, vai ser o jogo mais difícil dos quatro amistosos preparatórios. Como mostram os recordes que podem cair na Copa 2026, Marmoush é candidato a surpresa do torneio para os que acompanham o futebol europeu de perto.
O que o Brasil precisa mostrar em Cleveland
Depois da goleada do Brasil sobre o Panamá por 6x2 com dois times diferentes, Ancelotti vai para Cleveland com uma lista de pendências. A mais urgente é a lateral direita — se Wesley vai segurar Salah ou se Danilo (Flamengo) entra como opção mais defensiva. A segunda é a integração de Marquinhos, Martinelli e Gabriel Magalhães, que chegam ao grupo após a final da Champions e precisam de minutos reais antes de 13 de junho.
O Egito vai oferecer um teste real. Diferente do Panamá, que abriu espaços e permitiu que o sistema de Ancelotti funcionasse com facilidade, os Faraós vão fechar o bloco e apostar nas transições — exatamente o cenário que o Brasil vai encontrar contra Marrocos, Haiti e possivelmente nas oitavas de final. Para acompanhar o calendário completo, os jogos do Brasil na Copa 2026 têm todas as informações da Copa 2026.


