O Brasil abre sua campanha na Copa do Mundo 2026 no dia 12 de junho, no MetLife Stadium em Nova Jersey, contra Marrocos. Não é um adversário qualquer — é a seleção que chegou à semifinal da Copa de 2022 no Catar, tornando-se a primeira africana e árabe a atingir esse estágio em toda a história do torneio. Quem é esse time, como ele joga e o que o Brasil precisa fazer para começar a Copa com vitória?
Para entender o contexto completo da estreia e os grupos da Copa 2026 desta edição, os jogos do Brasil na Copa 2026 têm o calendário completo com datas e horários.
A semifinalista que o mundo não esperava
A campanha de Marrocos na Copa de 2022 foi uma das histórias mais bonitas e inesperadas do futebol mundial na última década. O técnico Walid Regragui, contratado semanas antes do torneio após a demissão de Vahid Halilhodžić, assumiu um elenco com qualidade individual mas sem identidade coletiva clara — e em poucas semanas transformou a seleção numa máquina defensiva difícil de jogar contra.
O resultado foi histórico. Marrocos eliminou a Bélgica (2 a 0), Espanha (0 a 0, 3 a 0 nos pênaltis) e Portugal (1 a 0) antes de cair para a França na semifinal. Em cada um desses jogos, Marrocos foi o time com menos posse de bola — e ganhou ou chegou muito perto de ganhar pela organização defensiva, pela intensidade no pressing e pelas transições rápidas.
O zagueiro Romain Saïss jogou a Copa inteira com uma lesão no ombro. A mãe de Achraf Hakimi estava na arquibancada em cada jogo. Os jogadores marroquinos comemoraram com a bandeira palestina. Foi uma Copa que transcendeu o futebol — e que deixou uma marca permanente na forma como o mundo enxerga o futebol africano.
Como Marrocos joga: o sistema de Regragui
Regragui mantém o comando para 2026, com a mesma filosofia que funcionou no Catar. Marrocos joga habitualmente num 4-3-3 defensivo que rapidamente vira 4-5-1 sem a bola — dois blocos compactos, linhas fechadas, pouquíssimo espaço entre a defesa e o meio de campo.
A saída de bola é direta: quando recupera a posse, a equipe avança rapidamente pelas laterais antes que o adversário reorganize a defesa. Achraf Hakimi, pelo lado direito, é o principal vetor ofensivo — um lateral-direito do PSG com velocidade, qualidade de cruzamento e capacidade de chegar na área para finalizar.
No setor de meio de campo, Azzedine Ounahi (Marseille) e Selim Amallah controlam a transição. São jogadores que não brilham individualmente em momentos de destaque, mas que fazem o trabalho coletivo que mantém a equipe organizada e funcional durante os 90 minutos.
Na frente, Youssef En-Nesyri — artilheiro na Fenerbahçe — é o referencial. Um centroavante físico, dominante no jogo aéreo, com bom posicionamento de área. Não é um driblador nem um criador — é um finalizador que precisa de poucos toques para decidir.
Os jogadores que o Brasil precisa marcar de perto
- Achraf Hakimi (PSG): o melhor jogador de Marrocos e um dos melhores laterais-direitos do mundo. Velocidade absurda, cruzamentos precisos e chegadas à área frequentes. A lateral esquerda brasileira — um dos pontos vulneráveis identificados na análise tática do Brasil — vai ter um teste difícil logo na estreia.
- Youssef En-Nesyri (Fenerbahçe): centroavante físico com bom faro de gol. Se Marrocos conseguir bolas na área — especialmente em bolas paradas — ele é muito perigoso.
- Hakim Ziyech (Al-Qadsia): meia-atacante com qualidade técnica acima da média. Passou pelos últimos anos no Chelsea e no Galatasaray — quando está em bom momento, tem passes que abrem defesas organizadas.
- Bono (Sevilla): goleiro experiente e seguro. Pode frustrar as finalizações brasileiras em momento de partida equilibrada.
O histórico Brasil x Marrocos na Copa do Mundo
Brasil e Marrocos se encontraram uma única vez na história das Copas do Mundo: em 1998, na fase de grupos, com vitória brasileira por 3 a 0. Naquele jogo, Ronaldo Nazário marcou um dos gols numa Copa em que o Brasil chegaria à final — para perder para a França por 3 a 0 num dos episódios mais misteriosos da história do torneio, detalhado nos todos os campeões da Copa do Mundo.
Em amistosos recentes, o Brasil tem histórico positivo. Mas Marrocos de 2026 é uma seleção completamente diferente da de 1998 ou de qualquer versão anterior. A Copa de 2022 não foi sorte — foi resultado de trabalho tático sólido e de uma geração de jogadores criados nas academias europeias que voltam para representar o país de origem com uma ambição clara.
O que o Brasil precisa fazer para vencer
Marrocos vai se fechar defensivamente — é quase uma certeza. O time de Regragui raramente abre o jogo contra adversários mais fortes. Isso coloca o Brasil numa posição incomum para o sistema de Ancelotti: precisará ter a bola e criar contra uma defesa organizada, o que exige paciência e movimentação intensa.
A chave pode estar nas jogadas pelos lados. Vinicius Jr. pelo lado esquerdo contra o lateral-direito marroquino — que vai estar avançado na ofensiva — pode criar espaços de contra-ataque. Rodrygo com liberdade para aparecer entre as linhas é outra opção que Marrocos vai ter dificuldade de marcar.
O jogo aéreo em bolas paradas pode ser decisivo. Marrocos tem jogadores físicos na área, mas a defesa brasileira com Marquinhos e Gabriel Magalhães — a melhor dupla de zaga do torneio segundo a análise do próprio Vinicius Jr. — tem capacidade de anular a ameaça. Para os favoritos ao título da Copa 2026 ao título, a estreia vai dar uma primeira leitura de quem chegou pronto para a Copa.


