Em cada Copa do Mundo, enquanto os atacantes marcam os gols que ficam na memória, os goleiros fazem as defesas que salvam títulos. A história da Copa está repleta de guarda-redes que foram tão decisivos quanto qualquer artilheiro — às vezes mais. De Dino Zoff erguendo a taça com 40 anos a Emiliano Martínez intimidando cobranças de pênalti com psicologia e irreverência, os goleiros da Copa têm histórias que merecem capítulo próprio.
Para o contexto dos prêmios individuais, incluindo a Luva de Ouro, confira prêmios da Copa do Mundo. E para as finais onde esses goleiros foram decisivos, finais da Copa do Mundo narra cada decisão.
Dino Zoff: o mais velho campeão da história
Dino Zoff é o goleiro mais lendário da Copa do Mundo — e por uma razão matemática incontestável: foi o jogador mais velho a vencer uma Copa do Mundo, conquistando o título com a Itália em 1982 aos 40 anos e 4 meses. Zoff foi também capitão da seleção italiana naquele torneio — o goleiro mais velho a levantar a taça como capitão na história.
A trajetória de Zoff na Copa inclui um episódio constrangedor em 1974, quando a Itália foi eliminada na primeira fase e ele sofreu um gol de cabeça de Haití — um dos maiores choques daquela Copa. Mas Zoff respondeu ao fracasso com uma carreira de dedicação e chegou ao ápice aos 40 anos, provando que goleiros envelhecem de forma diferente dos demais jogadores.
Gordon Banks: a defesa do século
O inglês Gordon Banks fez na Copa de 1970 a defesa considerada por especialistas a mais difícil da história do futebol. Numa partida entre Inglaterra e Brasil, Pelé cabeçou a bola para o canto baixo direito do gol — sem ângulo de defesa aparente. Banks jogou o corpo, pegou a bola quase no chão com a mão direita e empurrou para cima da trave. Pelé levou a mão à cabeça em descrença. A defesa foi ao mesmo tempo atleticamente impossível e concretamente real.
Banks disse depois que considerou aquela a defesa mais difícil de sua vida. Pelé a descreveu como a melhor defesa que ele jamais viu. Para quem nunca viu, o vídeo está disponível no YouTube — e ainda hoje impressiona 50 anos depois.
Oliver Kahn: o único goleiro Bola de Ouro
Em 2002, o alemão Oliver Kahn se tornou o único goleiro na história a receber a Bola de Ouro de melhor jogador da Copa do Mundo — num torneio em que a Alemanha foi vice-campeã. Kahn foi extraordinário durante todo o torneio, com defesas impossíveis que carregaram a Alemanha até a final. Na decisão contra o Brasil, porém, Kahn cometeu o erro mais famoso de sua carreira: deixou escapar uma finalização de Ronaldo que ricocheteou em seu peito e entrou. O Brasil venceu por 2 a 0.
A imagem de Kahn na final de 2002 — vencedor da Bola de Ouro mas autor do erro que custou o título à Alemanha — é uma das mais ambíguas da história do torneio. Um dos melhores goleiros de todos os tempos, num jogo que tentou ganhar quase sozinho e não conseguiu.
Iker Casillas: o capitão do título espanhol
Iker Casillas foi o goleiro titular da Espanha em três Copas do Mundo (2002, 2006 e 2010) e conquistou o título em 2010 na África do Sul — tornando-se um dos poucos goleiros campeões mundiais da história da Espanha. Casillas recebeu a Luva de Ouro naquele torneio e protagonizou um dos momentos mais icônicos da Copa: o beijo ao vivo para a repórter Sara Carbonero logo após a final, numa cena que viralizou antes de o conceito de viralizar existir.
Emiliano Martínez: psicologia e irreverência (2022)
O argentino Emiliano Martínez foi um dos grandes protagonistas da Copa de 2022 — não apenas pelas defesas, mas pelo uso deliberado de psicologia nas disputas de pênaltis. Nas quartas de final contra a Holanda e na final contra a França, Martínez conversou com os cobranistas, riu, apontou o dedo e usou todos os recursos mentais disponíveis para desestabilizar o adversário.
O argentino defendeu dois pênaltis holandeses nas quartas e se saiu bem na final — onde a França converteu todos os seus pênaltis, mas a Argentina foi campeã. As comemorações exuberantes e polêmicas de Martínez geraram críticas internacionais, mas ele foi premiado com a Luva de Ouro do torneio. Amor ou ódio — Emiliano Martínez não deixou ninguém indiferente.
Taffarel: o goleiro do tetracampeonato
O brasileiro Taffarel foi o herói da Copa de 1994 na final contra a Itália — a primeira Copa do Mundo decidida por pênaltis. Com o placar em 0 a 0 após a prorrogação, Taffarel defendeu o pênalti de Massaro e depois viu Roberto Baggio — o melhor jogador do mundo naquela época — cobrar pela janela. O Brasil foi tetracampeão, e Taffarel entrou para a história ao lado de Romário, Bebeto e companhia como um dos heróis de 1994.
Para a Copa 2026, o Brasil de Carlo Ancelotti terá um goleiro novo representando a Seleção — um posto de responsabilidade que carrega o peso de toda essa história de goleiros lendários. A convocação da Seleção para a Copa 2026 revelou quem vai defender as redes brasileiras no torneio.


