A Seleção Brasileira deixou o Brasil na noite desta segunda-feira, 1º de junho, e chegou aos Estados Unidos na madrugada de terça. O voo decolou às 22h do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, com destino ao Aeroporto Internacional de Newark, em Nova Jersey. Com a goleada de 6 a 2 sobre o Panamá no Maracanã marcada na memória — e 72 mil torcedores na despedida — o grupo de Ancelotti iniciou oficialmente a fase americana da preparação para a Copa do Mundo 2026. A busca pelo hexacampeonato começou de verdade.
A base no coração da região de Nova York
A escolha do local de concentração não foi aleatória. A delegação brasileira está hospedada no Hotel The Ridge, em Basking Ridge, Nova Jersey — a aproximadamente 18 quilômetros do RWJBarnabas Health Red Bulls Performance Center, o complexo de treinamento do New York Red Bulls que será a base de trabalho diária da Seleção durante o Mundial.
A estrutura do CT é impressionante: oito campos oficiais, uma arena com capacidade para 350 pessoas e toda a infraestrutura de alto rendimento que uma equipe de Copa do Mundo exige. A escolha foi estratégica também pela logística: a base fica a aproximadamente 30 minutos do MetLife Stadium, onde o Brasil fará sua estreia contra Marrocos no dia 13 de junho. Menos tempo de deslocamento antes do jogo mais importante da fase de grupos.
Primeiro treino em menos de 24 horas
O grupo não teve tempo de se adaptar ao fuso horário com calma. O primeiro treino nos Estados Unidos foi programado para menos de 24 horas após o desembarque em Newark — a comissão técnica de Ancelotti preferiu manter o ritmo de trabalho sem deixar o grupo parado. A aclimatação ao horário local e às condições climáticas de Nova Jersey também faz parte da preparação.
O clima em New Jersey em junho é significativamente diferente do Rio de Janeiro de maio. Temperaturas entre 20°C e 28°C durante o dia, com possibilidade de chuva — condições bem diferentes do calor úmido que o grupo enfrentou na Granja Comary. A adaptação física a esse ambiente nas próximas duas semanas é parte do plano de Ancelotti antes da estreia.
A integração de Marquinhos, Martinelli e Gabriel Magalhães
Três jogadores chegaram ao grupo depois dos demais: Marquinhos, Gabriel Martinelli e Gabriel Magalhães, que disputaram a final da UEFA Champions League no sábado, 31 de maio. Os três se apresentaram à delegação nos primeiros dias nos EUA e precisam de um processo de integração acelerado — tanto física quanto taticamente.
Para Ancelotti, a chegada desses três é uma boa notícia e um desafio simultâneo. Boa notícia porque fecha dois dos quatro pilares mais sólidos do time: Marquinhos e Gabriel Magalhães são a dupla de zaga titular indiscutível, e Martinelli é uma das opções mais versáteis no setor ofensivo. O desafio é que os dois zagueiros chegam com o desgaste físico de uma temporada completa e de uma final de Champions — jogaram 90 minutos intensos apenas 48 horas antes de embarcarem para os EUA.
A expectativa é que ambos participem do amistoso contra o Egito, no dia 6 de junho em Cleveland, mesmo que com minutagem controlada. Como detalhado na convocação da Seleção, a presença deles é essencial para o time titular que Ancelotti quer consolidar antes da estreia.
O roteiro dos próximos 12 dias
A agenda da Seleção nos EUA está definida com precisão:
- 2 a 5 de junho: treinos no CT do New York Red Bulls, em Basking Ridge
- 6 de junho: viagem para Cleveland e amistoso contra o Egito no Huntington Bank Field, às 19h (horário de Brasília)
- 7 a 12 de junho: retorno à base em Nova Jersey, treinos e preparação final
- 13 de junho: estreia na Copa do Mundo contra Marrocos no MetLife Stadium, às 19h
São 12 dias entre a chegada nos EUA e o apito inicial do primeiro jogo da Copa. Para os jogos do Brasil na Copa 2026 com todos os detalhes de datas e horários, o calendário completo está disponível. O Brasil chega ao torneio embalado pela goleada de 6x2 sobre o Panamá — e com a missão de confirmar em campo o que o elenco promete no papel.
Por que a base em Nova Jersey é estratégica além da logística
A escolha de Basking Ridge como sede da concentração vai além da proximidade com o MetLife Stadium. A região de Nova York tem a maior concentração de brasileiros nos Estados Unidos — estimativas colocam mais de 400 mil brasileiros na área metropolitana de Nova York e Nova Jersey. Isso significa que o Brasil vai jogar em casa em Nova Jersey. A torcida no MetLife contra Marrocos tem potencial para replicar a atmosfera do Maracanã — algo que nenhum outro time do Grupo C pode esperar.
Há também o fator climático. Nova Jersey em junho tem temperaturas entre 20°C e 28°C durante o dia, com manhãs mais frescas. É um clima que favorece o estilo físico e intenso que Ancelotti quer imprimir — bem diferente do calor úmido que equipes que jogam em Miami ou Houston vão enfrentar. O Brasil tem a vantagem da sede climaticamente mais favorável para o estilo de jogo do técnico italiano.
O CT do New York Red Bulls, por sua vez, é uma das estruturas de alto rendimento mais completas disponíveis nos EUA. Oito campos oficiais permitem que Ancelotti trabalhe setores do time em paralelo — enquanto os atacantes treinam finalizações num campo, os zagueiros trabalham bolas aéreas em outro. Esse nível de especialização de treino é o padrão que Ancelotti tinha no Real Madrid e que tentará replicar na Seleção nessas duas semanas decisivas.


